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terça-feira, 9 de julho de 2013

Empate, pô!!!


Um amigo havia me alertado desse vídeo e hoje fui procura-lo.

Trata-se da previsão da “Mãe Dinah” para a decisão da Recopa Sul-americana entre Corinthians e São Paulo...






sábado, 18 de maio de 2013

18 de Maio/ Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes



 18 de maio é a data em que Araceli Cabrera Crespo, de nove anos incompletos, desapareceu da escola onde estudava para nunca mais ser vista com vida. A menina foi estupidamente martirizada. Araceli foi espancada, estuprada, drogada e morta numa orgia de drogas e sexo. Seu corpo, o rosto principalmente, foi desfigurado com ácido. Seis dias depois do massacre, o corpo foi encontrado num terreno baldio, próximo ao centro da cidade de Vitória, Espírito Santo. Seu martírio significou tanto que esta data se transformou no “Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”.




ARACELI: Símbolo da violência. Por Pedro Argemiro

Durante mais de três anos, na década de 70, pouca gente ousou abrir a gaveta do Instituto Médico-Legal de Vitória, no Espírito Santo, onde se encontrava o corpo de uma menina de nove anos incompletos. E havia motivos para isso. Além de o corpo estar barbaramente seviciado e desfigurado com ácido, se interessar pelo caso significava comprar briga com as mais poderosas famílias do estado, cujos filhos estavam sendo acusados do hediondo crime. Pelo menos duas pessoas já tinham morrido em circunstâncias misteriosas por se envolverem com o assunto.

Ainda assim, corajosos enfrentavam os poderosos exigindo justiça, tanto que o corpo permanecia insepulto na fria gaveta, como se fosse a última trincheira da resistência. O nome da menina era Araceli Cabrera Crespo e seu martírio significou tanto que o dia 18 de maio - data em que ela desapareceu da escola onde estudava para nunca mais ser vista com vida - se transformou no Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Por uma dessas cruéis ironias, Jardim dos Anjos era onde ficava um casarão, na Praia de Canto, usado por um grupo de viciados de Vitória (ES) para promover orgias regadas a LSD, cocaína e álcool, nas quais muitas vítimas eram crianças - anjos do sexo feminino. Entre a turma de toxicômanos, era conhecida a atração que Paulo Constanteen Helal, o Paulinho, e Dante de Brito Michelini, o Dantinho, líderes do grupo, sentiam por menininhas. Dizia-se, sempre a boca pequena, que eles drogavam e violentavam meninas e adolescentes no casarão e em apartamentos mantidos exclusivamente para festas de embalo. O comércio de drogas era, e é muito enraizado naquela cidade. O Bar Franciscano, da família Michelini, era apontado como um ponto conhecido de tráfico e consumo livres.

Araceli vivia com o pai Gabriel Sanches Crespo, eletricista do Porto de Vitória, a mãe Lola, boliviana radicada no país, e o irmão Carlinhos, alguns anos mais velho que ela. Na casa modesta, localizada na Rua São Paulo, bairro de Fátima, era mantido o viralata Radar, xodó da menina, que o criava desde pequenino. Segundo o escritor José Louzeiro que acompanhou o caso de perto e o transformou no livro "Araceli, Meu Amor" - o nome Radar foi escolhido pela garota "para que o animal sempre a encontrasse". Araceli estudava perto de casa, no Colégio São Pedro, na Praia do Suá, e mantinha urna rotina dificilmente quebrada. Ela saía da escola, no fim da tarde, e ia para um ponto de ônibus ali perto, quase na porta de um bar, onde invariavelmente brincava com um gato que vivia por ali.

No dia 18 de maio de 1973, uma sexta-feira, a rotina de Araceli foi alterada. Ela não apareceu em casa e o pai, num velho Fusca, saiu a procurá-la pelas casas de amigos e conhecidos, até chegar ao centro de Vitória. Nada. A menina não estava em lugar algum. Só restou a Gabriel comunicar a Lola que a filha estava desaparecida e que tinha deixado seu retrato em redações de jornais, na esperança de que fosse, realmente, somente um desaparecimento. No dia seguinte, quando foi ao colégio para conseguir mais informações, Gabriel ficou sabendo que a menina tinha saído mais cedo da escola. De acordo com a professora Marlene Stefanon, Araceli tinha "ido embora para casa por volta das quatro e meia da tarde, como a mãe mandou pedir num bilhete"

Na véspera, Lola tivera uma reação aparentemente normal ao constatar a demora da filha em chegar em casa. Primeiro, ficou enervada; depois, preocupada. No sábado, tarde da noite, sofreu uma crise nervosa e precisou ser internada no Pronto Socorro da Santa Casa de Misericórdia. Ainda no início do processo, acabariam pesando sobre ela fortes suspeitas e graves acusações. Lola foi apontada como viciada e traficante de cocaína, fornecedora da droga para pessoas influentes da cidade e até amante de Jorge Michelini, tio de Dantinho. E mais: ela era irmã de traficantes de Santa Cruz de La Sierra, para onde se mudou tão logo o caso ganhou dimensão, deixando para trás o marido Gabriel e o outro filho, Carlinhos. Não se sabe até onde Lola facilitou ou estimulou a cobiça dos assassinos em relação a Araceli.

Menina era usada no tráfico de drogas

A respeito de Dantinho e de Paulinho Helal, dizia-se que uma de suas diversões durante o dia era rondar os colégios da cidade em busca de possíveis vítimas, apostando na impunidade que o dinheiro dos pais podia comprar. Dante Barros Michelini era rico exportador de café (tão ligado a Dantinho que chegou a ser preso, acusado de tumultuar o inquérito para livrar o filho). Constanteen Helal, pai de Paulinho, era comerciante riquíssimo e poderoso membro da maçonaria capixaba. Seus negócios também incluíam imóveis, hotéis, fazendas e casas comerciais. Já o eletricista Gabriel, seu maior tesouro era a filha. No domingo, ele foi à delegacia dar queixa, onde lhe foi dito que tudo seria feito para encontrar Araceli. Na Santa Casa, ele contou a Lola o resultado de sua busca e falou da garantia dos policiais de que tudo acabaria bem. Lola pareceu não acreditar - e chorou. O escritor José Louzeiro não tem dúvida:Lola foi, indiretamente, a causadora do hediondo crime de que sua filha foi vítima. "Na sexta-feira, a mando da mãe, Araceli tinha ido levar um envelope no edifício Apoio, no Centro de Vitória, ainda em construção, mas que já tinha uns três ou quatro apartamentos prontos, no 8º andar. A menina não sabia, mas o envelope continha drogas.

Num dos apartamentos, Paulinho Helal, Dantinho e outros se drogavam. Ela chegou, foi agarrada e não saiu mais com vida", conta o escritor.

O que aconteceu realmente com Araceli Cabrera Crespo talvez nunca se saiba. E talvez, seja bom mesmo não conhecer os detalhes, tamanha é a brutalidade que o exame de corpo delito deixa entrever. A menina foi estupidamente martirizada. Araceli foi espancada, estuprada, drogada e morta puma orgia de drogas e sexo. Sua vagina, seu peito e sua barriga tinham marcas de dentes. Seu queixo foi deslocado com um golpe. Finalmente, seu corpo - o rosto, principalmente - foi desfigurado com ácido.

Corrupção e cumplicidade da polícia

Seis dias depois do massacre da menina, um moleque caçava passarinhos num terreno baldio atrás do Hospital Infantil Menino Jesus, na Praia Comprida, perto do Centro da capital. Mas o que ele encontrou foi o corpo despido e desfigurado de Araceli. Começou, então, a ser tecida uma rede de cumplicidade e corrupção, que envolveu a polícia e o judiciário e impediu a apuração do crime e o julgamento dos acusados por uma sociedade silenciada pelo medo e oprimida pelo abuso de poder. Dois meses após o aparecimento do corpo, num dia qualquer de julho de 1973, o superintendente de Polícia Civil do Espírito Santo, Gilberto Barros Faria, fez uma revelação bombástica. Ele afirmou que já sabia o nome dos criminosos, vários, e que a população de Vitória ficaria estarrecida quando fossem anunciados, no dia seguinte. Barros havia retirado cabelos de um pente usado por Araceli e do corpo encontrado e levado para exames em Brasília. Confirmando que eram iguais.

Por que a providência? Até então, havia dúvidas que era de Araceli o corpo que apareceu desfigurado no terreno baldio. Gabriel sabia que era o da filha - ele o reconheceu por um sinal de nascença, num dos dedos dos pés. Mas Lola disse o contrário. Assim que se recuperou, ela foi ao IML reconhecer o corpo e afirmou que não era de sua filha. Louzeiro recorda um outro fato a respeito disso, altamente elucidativo. Certo dia, Gabriel levou o cachorro Radar ao IML só para confirmar, ainda mais sua certeza. Não deu outra: mesmo com a gaveta fechada, animal agiu realmente como um radar, como Araceli premonizara, e foi direto à geladeira onde estava o corpo de sua dona.


Matéria retirada, na íntegra do site censura.com.br

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Uma História de Futebol



É um “curta” que achei no Youtube...

É ficção, mas vale a pena assistir...


sábado, 26 de janeiro de 2013

Baseado em fatos reais?





Quem aí se lembrou de algum jogador, levanta a mão...



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Do Fundo do poço ao topo do Mundo



Posto em vídeos o ressurgimento do Corinthians, de 2007 para cá...

Corinthians 0X2 Náutico
Dia 26/0407

Oitavas de Finais Copa do Brasil 2007

Depois de sair vencendo por dois á zero em Recife, no jogo de ida, O Corinthians foi surpreendido pela ofensividade do time pernambucano e foi eliminado em pleno Pacaembu. Começava ali a tragédia...


Goiás 1X1 Corinthians

36ª Rodada Campeonato brasileiro 2007
11/11/07

Em jogo do até então, décimo sexto contra o décimo sétimo, o Corinthians sofreu, mas levou o empate para casa e só dependeria de si para se livrar do descenso nas últimas duas rodadas...



Grêmio 1X1 Corinthians


38ª Rodada Campeonato Brasileiro 2007
02/12/07

Depois de perder para o Vasco em casa, o Timão viajava para Porto Alegre para não passar vergonha, mas não deu...

O empate, somado com a, diga-se de passagem, estranhíssima vitória do Goiás sobre Internacional, rebaixou o Corinthians para a Segunda Divisão nacional...



Corinthians 3X2 CRB

Campeonato Brasileiro Série B 2008
10/05/08

Mesmo levando um susto no inicio do jogo. O Timão se impôs e estreiou na Segunda divisão com uma boa vitória.


Sport 2X0 Corinthians

Copa do Brasil 2008
Final 11/06/08

Depois de uma surpreendente campanha o time pernambucano chegava como azarão, e mesmo perdendo o primeiro jogo de 3 á 1, levou a taça...




Corinthians 2X0 Ceará

25 de outubro de 2008. Sábado. Pacaembu.

Corinthians e Ceará se enfrentam pela 32ª rodada do Brasileiro da Série B.

Poderia ter sido um jogo qualquer. Mas não foi.

Se o Corinthians vencesse e o Barueri perdesse em casa para o Paraná, o Timão estaria matematicamente de volta à Primeira Divisão.

32 mil pessoas lotam o estádio para presenciar o que poderia ser o jogo do acesso...

E Foi



Corinthians 1X1 Santos

Campeonato paulista 2009
Final 03/05/09

Corinthians empata com o Santos e fazendo-se valer da vitória por 3X1 na Vila, é campeão Paulista de 2009.


Internacional 2X2 Corinthians

Copa do Brasil 2009
01/07/09

Fazendo-se favorecer pela excelente vitória no Pacaembu por dois á zero, o Corinthians deu-se ao luxo de empatar depois de estar ganhando de dois á zero, e mesmo assim garantir a taça...







Corinthians 2X1 Flamengo

Taça Libertadores da América 2010
05/05/10

O Corinthians derrotou o Flamengo com placar de 2 a 1, no Pacaembu, pela Fase Oitavas de final da Taça Libertadores 2010. Com este resultado, o Corinthians foi eliminado, por ter perdido o primeiro jogo por um á zero, no Rio.


Vitória 1X1 Corinthians


Campeonato brasileiro 2010
36ª Rodada
21/11/10

Corinthians tropeça, empata, perde a liderança e o titulo. 



Tolima 2X0 Corinthians

Pré- libertadores 2011
02/02/11

O pior momento da era  Tite.
Apresentando um futebol horroroso, o Corinthians sucumbiu para o Tolima e parou na Pré Libertadores.




Corinthians 0X0 Palmeiras

campeonato brasileiro 2011
38ª Rodada  04/12/11

Corinthians empata e conquista o Campeonato brasileiro 2011.


Corinthians 2X0 Boca Juniors

Libertadores 2012
Final 04/07/12

Corinthians joga melhor, se impõe e conquista de forma invicta a tão sonhada Libertadores.





Corinthians 1X0 Chelsea

Mundial de Clubes da FIFA
16/12/12

Corinthians derrota o Chelsea e chega ao topo do Mundo











terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Super, Hiper, máster...



Mais do que um Sábado qualquer...

Na companhia de um dos amigos que participou da criação e articulação do Blog The Estranhos, acompanhei no sábado, dia 01/12, o jogo histórico do Master do Corinthians, aqui na cidade vizinha.

Ouro, pequena cidade no oeste catarinense, foi invadida por corintianos, anti-corintianos e amantes do futebol de todos os cantos do estado, que se deslocaram das suas residências para ver de perto craques do passado.




Em algo que supera a paixão por qualquer clube, ver gênios da bola que desfilaram nos gramados brasileiros no tempo em que o futebol ainda tinha um pouco de graça, foi marcante para qualquer um que esteve no campo do Arabutã naquela tarde.

Viola, Zenon, Biro Biro, Ezequiel, Guinei, Gilmar Fubá, Nilson, João Paulo, Dama, Gino, Tosin, Dagoberto, Edson Pezinho, Carlinhos, dentre outros estiveram em campo contra o time Máster de Capinzal.

Zenon, mesmo no alto de seus 58 anos, foi um dos destaques da partida...
Ainda exibindo os lançamentos precisos que o consagraram durante sua careira, o camisa dez não errou um passe e deixou seus companheiros muitas vezes na cara do goleiro capinzalense.

Lançou, tocou, driblou, reclamou e xingou seu time que visivelmente não voltava na marcação, e nem precisava voltar, tudo era espetáculo.

Viola também brilhou, fez dois gols, um de faro de artilheiro outro de rara qualidade e visão de jogo, aproveitando ótimo lançamento e na saída do baixinho goleiro capinzalense de cabeça, por cobertura garantir a vitória do clube paulista.

Antes disso, Nilson já havia aberto o marcador, e Charles empatado em belos chutes da entrada da área.

Três á um... Mas o resultado pouco importava...

Na arquibancada a torcida fazia sua festa, cantavam, gritavam e choravam...

Caso de uma garotinha que chorava copiosamente, na esperança e intenção de ver e abraçar seu ídolo Viola...
Sonho realizado...

Gilmar Fubá foi outra figuraça que desfilou na Baixada Rubra e deixou evidente que ainda tem futebol pra mostrar... Levantou a galera em duas meia-lua seguidas, coisa de quem conhece...

Biro Biro chegou atrasado, retardou o inicio do evento; Iniciou na ala esquerda, mas no segundo tempo veio para o meio de campo, evidentemente cansado...

Demonstrando uma humildade e simpatia gigante, os jogadores deram autógrafos, pousaram para fotografias, conversaram e brincaram com os torcedores.

Fubá era com certeza o mais animado; chegou a tomar um liquido não identificado dado pela tela na sua boca pelos torcedores...

No fim, foi um grande evento...

Parabéns á todos os organizadores e os que de uma forma ou de outra colaboraram para a realização do amistoso, e esperamos que futuramente outros clubes venham jogar por aqui, pois recordar a genialidade passada nunca é demais...

Galeria de fotos:







                                                                           Gandula





terça-feira, 27 de novembro de 2012

Saindo da Rotina


Um dia chegaremos á uma fase da vida, aonde coisas até então sem muito valor e serventia se tornaram indispensáveis...

Assistam e entenderam...




sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Força Verissimo!!!




Quem nunca leu Luis Fernando Verissimo? Quem, muitas vezes até sem perceber, passou horas e horas lendo um de seus inúmeros livros de histórias e crônicas?
Ontem recebi a noticia, que o escritor está internado em estado grave e o risco de óbito é real...
Ele teve perda da função renal, passa por diálise e está com um quadro de infecção com causa ainda não determinada. O tratamento está sendo feito com antibióticos.

Verissimo está no Centro de Tratamento Intensivo (CTI)  e respira com ajuda de aparelhos...

Fica minha torcida pela recuperação desse magnifico escritor...

Em uma simples homenagem, posto á baixo, um texto de Verissimo, onde ele analisa o futebol e a paixão do brasileiro por esse esporte...

Força Verissimo!!!


                                           O Mistério do Futebol

Começa quando a gente é criança. Quando qualquer coisa - até o corredor da casa - é um campo de futebol e qualquer coisa vagamente esférica é a bola. Se é genético, não se sabe. Um brasileiro criado na selva por chimpanzés, quando se pusesse de pé, começaria a fazer embaixadas com frutas, mesmo sem saber o que estava fazendo? Não se sabe.
  
    Nenhum prazer que teremos na vida depois, incluindo a primeira transa, se iguala ao prazer da primeira bola de verdade. Autobiografia: sou do tempo da bola de couro com cor de couro. A oficial, número 5. Ganhei a minha primeira com cinco ou seis anos. Ainda me lembro do cheiro. Depois de ganhá-la, você ficava num dilema: levá-la para a calçada e começar a chutá-la, ou preservar o seu couro reluzente?  Uma bola futebol de verdade era uma coisa tão preciosa que se hesitava em estragá-la com o futebol.

   Futebol de calçada. O tamanho dos times variava. De um para cada lado a 14 ou 15 para cada lado.  Duração das partidas: até escurecer ou a vizinhança reclamar, o que acontecesse primeiro.

Nada interrompia as partidas. Ninguém saía. Joelho ralado, a mãe via depois. Gente passando na calçada que se cuidasse. Só se respeitava velhinha, deficiente físico e, vá lá, grávida. Os outros não estavam livres de ser atropelados. Quem mandara invadir nosso campo?

   Comparado com calçada, terreno baldio era estádio. E terreno baldio com goleiras, então, era Maracanã. As goleiras podiam ser feitas com sarrafos ou galhos de árvore. Não importava, eram goleiras.  Um luxo antes inimaginável.

   O prazer de acertar um chute no ângulo da goleira. Qualquer goleira. O que pode se comparar, na experiência humana? Ou na experiência humana de um brasileiro?   

   Todos estes prazeres passam - com o tempo e as obrigações, com a vida séria, com a barriga -, mas o amor pelo nosso time continua. Confiamos ao nosso time a tarefa de continuar nossa infância por nós. Passamos-lhe a guarda dos nossos prazeres com a bola. A relação com o nosso time é a única das nossas relações infantis que perdura tão intensa e irracional quanto antes. Ou mais.

   De onde vem isso?  Que tipo de amor é esse? Um mistério. Dizem que no fundo é uma necessidade de guerra. De ter uma bandeira, ser uma nação e arrasar outras nações, nem que seja metaforicamente. Psicologia fácil. Não explica por que a pequena torcida do Atlético Cafundó,  que nunca arrasará ninguém, continua torcendo pelo seu time. Talvez o que a gente ame no futebol seja o nosso amor pelo futebol. Isso que nos faz diferentes dos outros, que amam o futebol mas não tanto, não tão brasileiramente.

   Ou talvez o que a gente ame seja justamente o mistério.

* Luis Fernando Verissimo –  Jornalista e escritor